A vida segue lá fora, mas eu continuo aqui, parada.
Sinto como se estivesse afundando mais uma vez, e a cada vez parece um pouco mais fundo. Dentro de mim, existe esse medo silencioso de que, em algum momento, eu não consiga voltar. Talvez não sozinha. Talvez não tão cedo.
Minha mente anda caótica, girando sem parar. São as preocupações diárias da vida adulta, o rumo que o mundo parece tomar, os sonhos que deixo de perseguir. A vida continua correndo, e eu não me vejo saindo do lugar. Parece que estou apenas sobrevivendo, em vez de viver, presa em um ciclo automático, repetindo os dias, enquanto tento me convencer de que tudo vai ficar bem.
A vida acontece lá fora, e aqui dentro minha mente continua se afundando, cada vez mais. Ouço com frequência que preciso resolver isso, que devo manter a calma, descansar. Parece simples, não é? Mas o problema é que eu não sei como parar. Não sei como silenciar meus pensamentos, como impedir que eles sigam pelos piores caminhos, revisitando lembranças dolorosas, sentimentos difíceis, ou criando cenários que talvez nunca existam. Eu simplesmente não sei como parar.
Tenho me sentido cada vez mais cansada, exausta, para ser sincera. E mesmo entendendo, em parte, o que precisa ser feito, ainda não descobri como fazer. A sobrecarga tem sido tão grande que até as coisas que eu amava já não despertam mais vontade.
Sinto que respirava melhor quando escrevia mais, mas nem isso tenho conseguido fazer agora.
Eu só não sei.
Esse sentimento de inutilidade e estagnação tem me consumido aos poucos. É como estar em um mar revolto outra vez, sendo engolida por uma tempestade.
Às vezes, penso que talvez seja mais fácil soltar esses sonhos, deixá-los de lado, e apenas seguir a rotina, no automático, sem esperar muito, sem desejar demais. Talvez assim minha mente finalmente encontre um pouco de silêncio, um pouco de paz.

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